Dentre 50 milhões de brasileiros que já fizeram obras de reformas ou construção, 82% não contrataram serviços de profissionais tecnicamente habilitados, a confirmação vem de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em 2022 com exclusividade para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.
A grande maioria dos entrevistados disse que sua experiência com obra foi ruim por uma série de problemas: planejamento (dificuldade em orçar a obra e definir prazos), mão de obra (muitas vezes o serviço tem que ser refeito) e material (desperdício). Esses problemas resultam diretamente em gastos acima do que o necessário e somam-se ainda ao grave fato da estas obras estarem irregulares, sem registro de projeto e execução junto aos órgãos competentes.
A maioria considerável dos entrevistados (84%) considera que problemas construtivos nas moradias como falta de pisos ou forros, paredes rachadas, número insuficiente de banheiro, falta de ventilação e iluminação natural, configuram uma questão de saúde pública. Os problemas construtivos refletem também em problemas para a segurança da população exemplificado em tragédias como como as construções irregulares na comunidade da Muzema (Rio de Janeiro, 2019) e ocupação desordenado em conjunto com fortes chuvas (Petrópolis, 2022).
Segundo os entrevistados dentre as maiores razões para a não contratar profissionais especializados são as crenças de que esses serviços são muito caros (49%) e de que “não existe necessidade” de contratar engenheiros ou arquitetos (48%).
“Fica evidente que a questão habitacional no Brasil não se resume apenas à construção de novas habitações ou a transformação de imóveis ociosos em moradias. O país precisa de uma solução de escala para a melhoria das habitações já existentes, especialmente nas periferias e bolsões de pobreza dos centros das cidades”, afirma a presidente do Conselho em artigo publicado pelo Portal do Estadão em 25 de maio de 2022.
Fonte: https://www.caubr.gov.br/pesquisa2022/
